Sara Gomes
WHITE, David. Gatekeeper: uma análise de caso na selecção de notícias. In: TRAQUINA, Nelson (Org.). Jornalismo: questões, teorias e estórias. Lisboa: Veja, 1999.
WHITE, David. Gatekeeper: uma análise de caso na selecção de notícias. In: TRAQUINA, Nelson (Org.). Jornalismo: questões, teorias e estórias. Lisboa: Veja, 1999.
No texto “O gatekeeper: uma análise de caso na
selecção de notícias”, David Manning White tenta compreender a interferência
dos profissionais de jornalismo no processo seletivo e na publicação de determinadas
informações. Embora as notícias sejam compostas de critérios e valores e o
jornalismo possua a ideia de objetividade, a escolha de uma notícia depende da
subjetividade do profissional de jornalismo, que leva em consideração as suas
experiências, visões de mundo, opiniões particulares e expectativas.
Gatekeeper pode ser compreendido como o porteiro, a
pessoa responsável por filtrar as informações. O termo foi desenvolvido
inicialmente nos Estados Unidos, em 1947, pelo psicólogo Kurt Lewin. No ano de
1950 a Teoria do Gatekeeper foi aplicada ao jornalismo por White, que decidiu
estudar o fluxo das notícias na redação de um jornal de porte médio, em uma
cidade do centro-oeste americano.
Neste processo, White observou a cadeia existente na
seleção dos fatos: repórter – rewrinting (revisor) – chefe de seção – editor
(redator telegráfico). Estes são responsáveis pelo julgamento inicial, ou seja,
por “deixar entrar” ou “rejeitar” a notícia. Para compreender melhor, o autor
acompanhou um jornalista e editor com 25 anos de experiência, apresentado como
Mr. Gates.
Durante uma semana, Mr. Gates recebeu 12.400
polegadas de notícias, enviadas pelas agências AP, UP e INS. A partir de
critérios pré-estabelecidos, como clareza, brevidade e ponto de vista, ele
utilizou – no período em que foi acompanhado – apenas 1.297 (um décimo) das
informações recebidas. Dentre as justificativas para a escolha de determinadas
notícias e a exclusão de outras, apontam-se a falta de espaço, aspectos
preventivo, moral ou ilativo.
Por não sentir-se contemplado pelas notícias
criminais, o jornalista acompanhado por White decidiu não enfatizá-las no
impresso. Além dessas, as sensacionalistas e de insinuação também foram
evitadas. Já as matérias de interesse humano, que provocam compaixão e
determinados tipos de comportamentos, bem como as notícias políticas, foram preferenciais
nas seleções.
White conclui que há intencionalidade no jornalismo
e que o processo de seleção das notícias é subjetivo e arbitrário, já que a
produção de informações passa por diversos “gates” (portões), sob os cuidados
de um jornalista.
Contexto
O artigo de White foi publicado no ano de 1950, na
revista Journalism Quartely (Volume 27, número 4). Neste
período, o mundo passava por inúmeras transformações, dentre elas as
científicas e tecnológicas, como o uso da energia nuclear e o lançamento dos
primeiros satélites artificiais. O fim da II Guerra Mundial ocasionou mudanças
nos Estados Unidos que, com apoio financeiro destinado aos países destruídos da
Europa Ocidental, fez penetrar, aos poucos, o estilo de vida e a cultura
americana.
No Brasil, este período foi marcado pelo
desenvolvimento industrial, sustentado por um Estado ativo na execução de
políticas econômicas, que envolvia projetos implantados por Getúlio Vargas
(1951-1954). A televisão surgiu no país no dia 18 de setembro, trazida por
Assis Chateaubriand e caracterizada pela aprendizagem e pelo improviso.
Nesta época teve início a segunda fase do jornalismo
brasileiro, que se caracterizou pelo modelo empresarial, além do aprimoramento
das técnicas de produção. Os cursos de comunicação também começavam a surgir
pelo país, como o da Escola de
Jornalismo Cásper Líbero, em
São Paulo , no ano de 1947, pertencente à Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras de São Bento, e o da Universidade do Brasil,
conhecida atualmente como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1948.
Em 1950, a
Universidade Federal da Bahia (UFBA) implantou o primeiro bacharelado em
Jornalismo da Bahia, ligado ao curso de Filosofia.
O autor
David Manning White (1917-1993) era sociólogo
norte-americano e especialista em comunicação. Iniciou os estudos após a
Segunda Guerra Mundial. Estudou jornalismo (1947-1949), na Bradley University,
onde produziu obras sobre o papel do gatekeeper na imprensa diária. Fez
doutorado na Universidade de Iowa. Entre os anos de 1964 e 1949 foi para a
Escola de Comunicação Pública da Universidade de Bostos e, de 1975 a 1982,
atuou na Commonwealth University, na Virgínia. White é autor de 18 livros.
Referências
JAWSNICKER, Claudia. Cadernos de
Jornalismo e Comunicação: iniciativa precursora de media
criticism no Brasil. Universidade Federal do Rio Grande do Sul: 2008. Disponível em http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/6o-encontro-2008-1/Cadernos%20de%20Jornalismo%20e%20Comunicacao.pdf.
Acesso em 31 de outubro de 2013.
FONTOURA, Alessandra Marques Cavalcante; SANTOS, Geimison
Maria dos; SOUZA, Flávio Vinícius Soares de. A Objetividade no Jornalismo:
Utopia ou Realidade?. Intercom: 2009. Disponível em http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2009/resumos/R4-0079-1.pdf.
Acesso em 31 de outubro de 2013.
PAES, Anderson. O gatekeeper e as escolhas do
noticiário internacional. Universidade Federal do Paraná (PR). Paraná: 2008.
Disponível em http://paginas.unisul.br/agcom/revistacientifica/artigos_2008b/anderson_paes.pdf.
Acesso em 31 de outubro de 2013.
TRAQUINA, Nelson. Teorias
do Jornalismo – Porque as notícias são como são. 2.ed. Florianópolis:
Insular, 2005. Vol.I.
WHITE, David. Gatekeeper: uma análise de caso na seleção de notícias. In: TRAQUINA, Nelson (Org.). Jornalismo: questões, teorias e estórias. Lisboa: Veja, 1999.
WHITE, David. Gatekeeper: uma análise de caso na seleção de notícias. In: TRAQUINA, Nelson (Org.). Jornalismo: questões, teorias e estórias. Lisboa: Veja, 1999.
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